- Olá, Jonas!
- Olá!
- Então, não te lembras de quem sou eu?
- Oh Mestre, és Tu?!
- Sim, sou Eu. Há uns dias largos que não te encontro!
- Pois... tenho andado atarefado com o início das aulas. Sabes como é...
- Sei. Compreendo-te. O início de um novo ano não é fácil, mas é atraente, não é?
- Sim. Conhecer novos amigos, professores e estudar novas matérias. Cada ano lectivo é uma nova aventura.
- Creio que sim. No entanto, sabes que sou um Amigo exigente. Deixa-me perguntar-te...
- Sim?...
- Eu tenho andado na escola à tua procura, onde te tens metido? Não te tenho encontrado!...
- Mas eu tenho estado sempre lá, não tenho faltado... hummm... a não ser naquele dia em que saí com uns amigos até tarde e no dia a seguir... sabes como é!...
- Sei, sim.
- Mas espero não abusar nessas noitadas...
- Conviver com os amigos não faz mal nenhum, pelo contrário... Mas porque é que conviver com os amigos há-de levar a faltar?...
- Tens razão! A relação com os amigos deveria ajudar, não desajudar... mas como é que isto acontece? E acontece muitas vezes... Bem, não a mim, que ainda sou caloiro, mas pelo que vejo aqui na escola.
- Pois é. Queres saber porquê?
- Todo ouvidos!
- Abre também o teu coração, porque o que tenho para te dizer deve entrar nele. O que entra só pelo ouvidos sai mais rápido e o que chega a ser gravado no coração demora mais a sair!
- Coração aberto! :)
- :) Antes de mais, pergunto-te: qual é o teu horizonte de vida? Porque é que estás na escola a estudar?
- Bem... porque tenho de estudar. Gosto do curso que estou a estudar...
- Já não é mau gostares do curso que estás a fazer. Mas... com que finalidade?
- Vir a ter um emprego mais tarde e... quem sabe, casar... ou... sei lá!
- Sabes? Há um horizonte último, infinito, que te atrai, mas que tu ainda não descobriste de todo.
- E qual é? Diz-me, diz-me!
- Não posso dizer-to já. Para ser uma experiência que te preencha totalmente terás de ser tu, com a minha ajuda, a descobri-lo e a decidir por ele. Terás de ser tu, no teu ritmo e nas tuas circunstâncias. No entanto, uma relação humana pode ajudar e desajudar no caminho que leva a um horizonte como aquele que tenho para te oferecer, sabias?
- Como?
- Se te envolves com pessoas que não querem descobrir esse horizonte, ou seja, cujo horizonte é mesquinho, porque fica pelas coisas terrenas, então, elas não te irão ajudar a descobrir o horizonte longínquo que te satisfará mais essa sede de infinito. Por isso, terás de decidir-te entre a noite e o dia, o finito e o infinito, entre os teus limites e as tuas possibilidades. A verdadeira felicidade é uma questão de equilíbrio. Encontrar esse horizonte é uma questão de te manteres dentro dos carris, como acontece com o comboio para não descarrilar.
- Muito bem!
- Obrigado. E queres saber um segredo?
- Sim, sou muito curioso em segredos!
- Tenta confirmar a tua convicção neste valor do equilíbrio no teu relacionamento com os amigos. A busca daquele horizonte longínquo talvez te dê poucos amigos, mas mais duradoiros e leais. Um horizonte mesquinho faz-te conviver com uma multidão de amigos, mas talvez sem a aventura da profunda intimidade dos que procuram mais longe e de dia!
- Essa agora chegou para mim!
- Não quero só surpreender-te, mas salvar-te. Eu também conheço a noite e estarei lá para te segurar. Mas tu, reconhecer-me-ás melhor no dia! E olha que dia e noite não são aqui somente ponteiros de um relógio, mas de "luz" e "trevas", compreendes?
- Sim. Obrigado, Mestre. Espero aproveitar bem este ano e andar mais acordado para essa luz.
- Até breve, Jonas!
- Até breve!